Resolvi tomar vergonha e estou lendo As Institutas da Religião Cristã, tida, creio que universalmente, como a principal obra do reformador francês João Calvino. Sempre tive um certo problema com isso: ser um calvinista que nunca leu as Institutas.
Em Agosto de 2005 comprei uma edição abreviada desse livro, Ensino Sobre o Cristianismo, publicada pela PES. Foi uma leitura de grande importância para mim. Antes disso eu havia ganho uma edição em inglês de meu avô (que por sinal não é cristão – Deus trabalha como quer e não há nada que o impeça). Naquela época fui vencido pelo inglês muito rebuscado e essa edição ficou na prateleira mesmo, esperando na fila enquanto eu lia outras coisas.
Durante um bom tempo aguardei o lançamento de uma nova edição das Institutas em português (a edição antiga era difícil de achar e, por conta da tradução quase que direta e literal do latim, mais difícil ainda de ler), sempre recebendo notícias de que o Rev. Odayr Olivetti estava trabalhando em uma tradução a partir do francês. Em julho de 2007 comprei essa edição, edição especial com notas para estudo e pesquisa, publicada pela Editora Cultura Cristã, e comecei a ler. Porém, por conta do mestrado e de outras coisas, acabei deixando ela na fila também. Agora estou no meio da leitura.
Quando digo “no meio”, digo quase que literalmente. A edição em questão é dividida em 4 livros, o que, aliás, é muito prático: Institutas é um calhamaço de impor respeito, e leva-la inteira na mochila seria um pouco complicado. Desse jeito só preciso levar um quarto, o que é muito melhor. Há algum tempo, no segundo semestre de 2008, li quase todo o livro 4 por conta de minha dissertação. Agora estou no início do livro 2. Assim sendo, posso dizer que já li praticamente metade das Institutas!
Institutas não é um bicho de sete cabeças. João Calvino é uma daquelas pessoas que pouca gente leu, mas de quem todos gostam de falar, geralmente mal. O livro é na verdade uma benção: a erudição e principalmente a piedade (definida pelo próprio Calvino como “temor do Senhor”) estão presentes em cada linha. Embora existam momentos em que Calvino aborda questões teológicas e filosóficas um pouco distantes de nosso dia a dia, o grosso do livro é uma exposição bíblica que, além de fiel, é familiar para qualquer cristão que ame as Escrituras.
Acredito que o assunto que mais se destaca até aqui é a soberania e o amor de Deus. Embora em momento algum a teologia de Calvino tire do homem sua consciência e sua responsabilidade como indivíduo, o livro destaca que “sem Deus nada podemos fazer”. O Deus que Calvino encontra é justo, santo e terrível para o pecador. Mas é também amoroso, nos escolhe, nos salva de nossa natureza pecaminosa e está sempre preocupado conosco. É um Deus que prepara boas obras para que andemos nelas e num gesto de bondade para além de toda compreensão nos retribui como se essas boas obras fossem nossas! Espero no futuro poder discorrer com mais calma a respeito de algumas questões relacionadas a isso.
É uma benção realmente poder ler as Institutas. A benção de ser lembrado a respeito desse Deus que realiza em nós essa maravilhosa obra de salvação.
terça-feira, 23 de março de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
O leão, o leopardo, a píton e o kintano
Ontem estive lendo um livro do missionário Ronaldo Lidório onde ele conta uma historia folclórica dos Konkombas, povo do noroeste africano entre o qual ele trabalhou por vários anos. A história fala a respeito do leão, do leopardo, da cobra píton e de um pequeno grilo chamado Kintano. O conto chegou aos seus ouvidos quando os Konkombas ouviram o pastor Lidório falando a respeito do Diabo, que “vem para matar, roubar e destruir”. Vou contar a história de maneira resumida (e fazendo minhas adaptações):
Havia em uma floresta três lideres: o leão, o leopardo e a píton. Cada um tinha suas virtudes e seus defeitos: o leão era calmo e sábio, mas maníaco por limpeza; o leopardo era sempre bem-humorado e procurava ver o lado positivo das coisas, mas odiava quando alguém o fitava; a píton estava sempre disposta a ajudar os animais menores e mais fracos, mas por ser baixa, tinha baixa auto-estima, e não suportava ser pisada pelos outros. Apesar de seus defeitos os três eram muito admirados pelos outros animais. Com o tempo esses defeitos passaram a ser ignorados, ou até considerados pequenas virtudes.
Um dia os três líderes precisaram se reunir, pois um grupo de hienas ameaçava ocupar aquela parte da floresta. Após muita discussão, os três decidiram fazer uma pausa para descansar. Nesse momento, enquanto os líderes dormiam, o pequeno grilo se escondeu debaixo da areia, como costumava fazer nas horas mais quentes do dia. Ao se enterrar ele jogou um pouco de areia no rosto do leão, que acordou furioso:
- Vocês sabem que eu odeio sujeira! Gritou ele fitando o leopardo, supondo que aquilo fosse uma brincadeira de mau gosto do colega.
- Você sabe que eu odeio ser fitado! Rosnou o leopardo.
Os dois começaram a lutar, e nisso pisaram na píton.
- Vocês sabem que odeio ser pisada!
Os três líderes lutaram entre si e acabaram matando um ao outro. O grilo, por sua vez, se desenterrou da areia e foi embora para outro lugar, sem que ninguém houvesse ao menos notado sua presença. Mais tarde, ao chegarem ao local, os outros animais não podiam entender como três lideres tão bons podiam ter se matado daquela maneira.
A moral da historia, segundo os Konkombas: o diabo é como esse grilo. Ele só vem para matar, roubar e destruir.
Gostaria de acrescentar alguns pensamentos: o diabo mente, espalha a discórdia, nos faz esquecer do Deus gracioso que temos. O desejo do diabo é nossa desunião. Sua alegria é ver a igreja sucumbir aos problemas. Quando a igreja está desunida, os irmãos sem se falar e sem se entender, ele vence. Quando queremos ter nossos desejos saciados acima de qualquer coisa, e ao invés de nos unirmos para lutar contra os problemas estamos brigando entre nós, essa é uma vitória do diabo. E o mais triste: colocamos a culpa uns nos outros, enquanto ele nem é percebido.
Jesus morreu e ressuscitou para vencer nossos inimigos, incluindo o diabo. Por nós mesmos não podemos derrotá-lo, mas podemos confiar em nosso Deus que luta por nós. Que ele vença as nossas batalhas, e que nós possamos descansar nele.
Havia em uma floresta três lideres: o leão, o leopardo e a píton. Cada um tinha suas virtudes e seus defeitos: o leão era calmo e sábio, mas maníaco por limpeza; o leopardo era sempre bem-humorado e procurava ver o lado positivo das coisas, mas odiava quando alguém o fitava; a píton estava sempre disposta a ajudar os animais menores e mais fracos, mas por ser baixa, tinha baixa auto-estima, e não suportava ser pisada pelos outros. Apesar de seus defeitos os três eram muito admirados pelos outros animais. Com o tempo esses defeitos passaram a ser ignorados, ou até considerados pequenas virtudes.
Um dia os três líderes precisaram se reunir, pois um grupo de hienas ameaçava ocupar aquela parte da floresta. Após muita discussão, os três decidiram fazer uma pausa para descansar. Nesse momento, enquanto os líderes dormiam, o pequeno grilo se escondeu debaixo da areia, como costumava fazer nas horas mais quentes do dia. Ao se enterrar ele jogou um pouco de areia no rosto do leão, que acordou furioso:
- Vocês sabem que eu odeio sujeira! Gritou ele fitando o leopardo, supondo que aquilo fosse uma brincadeira de mau gosto do colega.
- Você sabe que eu odeio ser fitado! Rosnou o leopardo.
Os dois começaram a lutar, e nisso pisaram na píton.
- Vocês sabem que odeio ser pisada!
Os três líderes lutaram entre si e acabaram matando um ao outro. O grilo, por sua vez, se desenterrou da areia e foi embora para outro lugar, sem que ninguém houvesse ao menos notado sua presença. Mais tarde, ao chegarem ao local, os outros animais não podiam entender como três lideres tão bons podiam ter se matado daquela maneira.
A moral da historia, segundo os Konkombas: o diabo é como esse grilo. Ele só vem para matar, roubar e destruir.
Gostaria de acrescentar alguns pensamentos: o diabo mente, espalha a discórdia, nos faz esquecer do Deus gracioso que temos. O desejo do diabo é nossa desunião. Sua alegria é ver a igreja sucumbir aos problemas. Quando a igreja está desunida, os irmãos sem se falar e sem se entender, ele vence. Quando queremos ter nossos desejos saciados acima de qualquer coisa, e ao invés de nos unirmos para lutar contra os problemas estamos brigando entre nós, essa é uma vitória do diabo. E o mais triste: colocamos a culpa uns nos outros, enquanto ele nem é percebido.
Jesus morreu e ressuscitou para vencer nossos inimigos, incluindo o diabo. Por nós mesmos não podemos derrotá-lo, mas podemos confiar em nosso Deus que luta por nós. Que ele vença as nossas batalhas, e que nós possamos descansar nele.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Amizade
Há pouco tempo estive ouvindo uma mensagem de um de meus pregadores favoritos atualmente, o pastor Mike Osborne da UPC-Orlando, cujo tema era a amizade. O pastor Osborne destaca a importância da amizade para a vida daqueles que servem a Deus, e contrasta isso com uma imagem popular do cristão como um “lobo solitário” em sua caminhada com Cristo, talvez uma imagem de origem monástica, mas certamente não bíblica. Citando os Beatles, “I get by with a little help from my friends”.
Gostaria aqui de desenvolver esse tema. A Bíblia está repleta de exemplos de amigos que juntos serviram a Deus de uma forma ou de outra: Rute e Noemi; Elias e Eliseu; Paulo e Barnabé; Pedro, Tiago e João; Davi e Jônatas; Josué e Calebe... Vejo em todos esses casos uma característica em comum: essas eram pessoas igualmente compromissadas em servir a Deus. Eram muitas vezes pessoas com diferenças de personalidade, de idade, talvez também de gostos pessoais e outras coisas que geralmente se valoriza em uma amizade hoje. Mas eram pessoas que encontraram em suas vidas um elemento fundamental em comum, que as levava a caminhar juntas apoiando-se mutuamente: seu compromisso com Deus.
Até mesmo entre Jesus e os apóstolos vemos essa amizade. Acredito que Jesus era bastante amigo de todos os 12, e de outras pessoas também. Mas ao ler os evangelhos fica claro que havia uma amizade maior de Jesus com Pedro, Tiago e João. Mesmo entre esses, percebe-se uma relação especial com cada um: João era o discípulo amado. Acredito que isso quer dizer que João era o melhor amigo de Jesus. Foi ele que esteve ao lado de Jesus até a cruz, quando os outros discípulos abandonaram o mestre. Já nos diálogos entre Jesus e Pedro noto outro tipo de amizade, aquele tipo de amizade que surge entre pessoas com diferentes personalidades: Pedro agitado, impetuoso, e Jesus calmo e ponderado, mas os dois se amando talvez exatamente por causa disso.
É notável observar também que o patriarca Abraão, chamado de “o pai da fé”, recebe do próprio Deus o título de “amigo de Deus”, mostrando o quanto a amizade é algo valoroso aos olhos do Pai.
Deus não nos fez para estarmos sós. Embora todos tenhamos a necessidade de momentos a sós com Deus uma vez ou outra (ou até muitas vezes), precisamos também de companhia em nossa caminhada. E para isso Deus envia amigos para estar o nosso lado.
Gostaria aqui de desenvolver esse tema. A Bíblia está repleta de exemplos de amigos que juntos serviram a Deus de uma forma ou de outra: Rute e Noemi; Elias e Eliseu; Paulo e Barnabé; Pedro, Tiago e João; Davi e Jônatas; Josué e Calebe... Vejo em todos esses casos uma característica em comum: essas eram pessoas igualmente compromissadas em servir a Deus. Eram muitas vezes pessoas com diferenças de personalidade, de idade, talvez também de gostos pessoais e outras coisas que geralmente se valoriza em uma amizade hoje. Mas eram pessoas que encontraram em suas vidas um elemento fundamental em comum, que as levava a caminhar juntas apoiando-se mutuamente: seu compromisso com Deus.
Até mesmo entre Jesus e os apóstolos vemos essa amizade. Acredito que Jesus era bastante amigo de todos os 12, e de outras pessoas também. Mas ao ler os evangelhos fica claro que havia uma amizade maior de Jesus com Pedro, Tiago e João. Mesmo entre esses, percebe-se uma relação especial com cada um: João era o discípulo amado. Acredito que isso quer dizer que João era o melhor amigo de Jesus. Foi ele que esteve ao lado de Jesus até a cruz, quando os outros discípulos abandonaram o mestre. Já nos diálogos entre Jesus e Pedro noto outro tipo de amizade, aquele tipo de amizade que surge entre pessoas com diferentes personalidades: Pedro agitado, impetuoso, e Jesus calmo e ponderado, mas os dois se amando talvez exatamente por causa disso.
É notável observar também que o patriarca Abraão, chamado de “o pai da fé”, recebe do próprio Deus o título de “amigo de Deus”, mostrando o quanto a amizade é algo valoroso aos olhos do Pai.
Deus não nos fez para estarmos sós. Embora todos tenhamos a necessidade de momentos a sós com Deus uma vez ou outra (ou até muitas vezes), precisamos também de companhia em nossa caminhada. E para isso Deus envia amigos para estar o nosso lado.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Orlando
Recentemente, no mês de janeiro, tive a oportunidade de viajar para Orlando com os meus avós. Foi a realização de um antigo plano, mas agora que a viagem foi feita fico admirado com o efeito inesperado que tive dela. Antes de viajar estive conversando com uma amiga que fez referência a Orlando como “o lugar mais feliz da Terra”. Embora a teoria seja óbvia e de conhecimento de todo cristão, tive mais uma vez a oportunidade de ver por experiência própria que não é bem assim.
Essa não foi minha primeira viagem para o exterior e nem para Orlando. Estive lá em 1996, e em 2004 fiz uma viagem pelo México e Nova Orleans. A diferença, imagino, é que seis ou 14 anos podem fazer muita diferença na vida de uma pessoa, especialmente em sua cosmovisão.
Algumas observações antes de continuar: não pretendo aqui desdenhar da chance de fazer um passeio como esse, aliás, o simples fato de ainda poder viajar com meus avós é uma benção indescritível, que minha mãe, por exemplo, não pôde viver. Também não estou dizendo que viagens não tem valor, havendo a oportunidade, faça uma. No entanto, as principais impressões que ficam são as seguintes:
- Somos todos de barro. A colocação assim, nesses termos, é mérito de uma amiga. Embora estejamos separados por uma grande distância e embora estejamos inseridos em diferentes culturas, falando línguas diferentes, somos todos criaturas do mesmo Deus e com os mesmos problemas essenciais, originados na distância que o pecado impõe entre nós e nosso criador;
- Todos precisamos desse Deus. Os EUA talvez sejam hoje o máximo daquilo que o capitalismo pode oferecer. O padrão de vida dos americanos é obviamente muito superior ao da maioria dos brasileiros. Isso, no entanto, não resolve seus problemas mais preocupantes, como veremos no próximo ponto;
- Todos temos um vazio onde só Deus se encaixa. Apesar disso, vivemos uma frustrada tentativa de preencher esse vazio com outras coisas. Algumas pessoas tentam preencher esse vazio com sexo, com drogas, com dinheiro, etc. Essas tentativas são prontamente apontadas como ruins pela igreja. Outras pessoas tentam preencher esse vazio com outras coisas, com entretenimento, por exemplo. Essa é uma tentativa mais sutil de esconder a falta que Deus nos faz. Mas olhando com atenção, é notável como a diversão pode ser um ídolo, embora em si mesma não tenha nada de ruim.
- Somente Deus é capaz de nos satisfazer totalmente. Nos parques temáticos de Orlando uma série de outros evangelhos estão sendo pregados: o Epcot diz que o desenvolvimento tecnológico nos trará a felicidade; o Magic Kingdom diz que ser sempre criança nos trás a felicidade; o Sea World diz que é um contato especial com a natureza, e assim vai.
Cada um dessas coisas tem seu valor, mas a principal impressão deixada pela viagem é de que somente um relacionamento pessoal com Deus através de Jesus Cristo pode nos dar real alegria. Espero que você possa buscar a alegria em Deus. O lugar mais feliz da Terra é na presença de Deus. Não é a alegria que o mundo oferece, mas tenho certeza de que é muito melhor. Que você possa buscar essa alegria também.
Essa não foi minha primeira viagem para o exterior e nem para Orlando. Estive lá em 1996, e em 2004 fiz uma viagem pelo México e Nova Orleans. A diferença, imagino, é que seis ou 14 anos podem fazer muita diferença na vida de uma pessoa, especialmente em sua cosmovisão.
Algumas observações antes de continuar: não pretendo aqui desdenhar da chance de fazer um passeio como esse, aliás, o simples fato de ainda poder viajar com meus avós é uma benção indescritível, que minha mãe, por exemplo, não pôde viver. Também não estou dizendo que viagens não tem valor, havendo a oportunidade, faça uma. No entanto, as principais impressões que ficam são as seguintes:
- Somos todos de barro. A colocação assim, nesses termos, é mérito de uma amiga. Embora estejamos separados por uma grande distância e embora estejamos inseridos em diferentes culturas, falando línguas diferentes, somos todos criaturas do mesmo Deus e com os mesmos problemas essenciais, originados na distância que o pecado impõe entre nós e nosso criador;
- Todos precisamos desse Deus. Os EUA talvez sejam hoje o máximo daquilo que o capitalismo pode oferecer. O padrão de vida dos americanos é obviamente muito superior ao da maioria dos brasileiros. Isso, no entanto, não resolve seus problemas mais preocupantes, como veremos no próximo ponto;
- Todos temos um vazio onde só Deus se encaixa. Apesar disso, vivemos uma frustrada tentativa de preencher esse vazio com outras coisas. Algumas pessoas tentam preencher esse vazio com sexo, com drogas, com dinheiro, etc. Essas tentativas são prontamente apontadas como ruins pela igreja. Outras pessoas tentam preencher esse vazio com outras coisas, com entretenimento, por exemplo. Essa é uma tentativa mais sutil de esconder a falta que Deus nos faz. Mas olhando com atenção, é notável como a diversão pode ser um ídolo, embora em si mesma não tenha nada de ruim.
- Somente Deus é capaz de nos satisfazer totalmente. Nos parques temáticos de Orlando uma série de outros evangelhos estão sendo pregados: o Epcot diz que o desenvolvimento tecnológico nos trará a felicidade; o Magic Kingdom diz que ser sempre criança nos trás a felicidade; o Sea World diz que é um contato especial com a natureza, e assim vai.
Cada um dessas coisas tem seu valor, mas a principal impressão deixada pela viagem é de que somente um relacionamento pessoal com Deus através de Jesus Cristo pode nos dar real alegria. Espero que você possa buscar a alegria em Deus. O lugar mais feliz da Terra é na presença de Deus. Não é a alegria que o mundo oferece, mas tenho certeza de que é muito melhor. Que você possa buscar essa alegria também.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Amor sem Escalas
E por falar em cinema, outro dia desses fui ver Amor sem Escalas. O título em português é péssimo, uma vez que não se trata de um filme sobre amor e não sei exatamente onde o “sem escalas” se encaixa. O filme, no entanto, é muito interessante, a começar pelo título “Up In the Air” (algo como “lá em cima no ar”), que representa muito bem a realidade do personagem principal, interpretado por George Clooney.
Clooney vive um sujeito cujo emprego consiste em demitir pessoas. Ele é contratado por outras empresas para fazer cortes de pessoal, e desempenha muito bem a tarefa porque é uma pessoa superficial que prefere não estabelecer contatos profundos com ninguém. Sua filosofia de vida consiste em ser o mais livre possível, livre de relacionamentos, livre de compromissos, etc. Assim ele é capaz de dormir muito bem à noite, mesmo depois de ter deixado várias pessoas desempregadas e desesperançosas durante o dia.
O emprego é particularmente atrativo porque possibilita que Clooney fique viajando pelos Estados Unidos quase o tempo todo, o que também combina com sua filosofia de vida: seu lar são os aviões, os aeroportos, as locadoras de carro, os hotéis... É ali que ele passa a maior parte do tempo, longe de contatos profundos com qualquer pessoa.
Sem querer entregar mais da história, mas obviamente que uma série de situações vão colocar a filosofia de Clooney à prova, mostrando que no fundo todos temos necessidade de relacionamentos e de um sentido maior para nossas vidas. Acredito que o filme mostra que no íntimo todos desejamos significar algo para alguém e que precisamos de um propósito para seguir adiante.
De um ponto de vista cristão, acho o filme super válido: ele mostra o vazio que todos temos, e acompanhando esse vazio, o desejo de um significado maior para estarmos aqui. Como diria Agostinho, todos temos esse vazio dentro de nós e desejamos preenche-lo. Como o próprio filme mostra, alguns procuram preenche-lo com a família, outros com realização profissional, outros com realização amorosa, e por aí vai. O personagem de Clooney procura ignorar esse vazio o quanto pode, ou até fazer dele uma virtude, mas a realidade vem mostrar que isso não é possível, é ir contra nossa natureza.
Embora família, amigos, carreira, etc. não sejam em si coisas ruins, o enorme vazio na alma de cada um de nós só pode ser preenchido através de um relacionamento pessoal com Jesus. Isso infelizmente o filme não mostra, mas não faz mal, afinal, não sei se os realizadores são cristãos. Mas é essa mensagem que nós devemos passar adiante: existe um significado maior para nossas vidas, e existe uma pessoa com quem vale totalmente a pena se relacionar, alguém que nunca nos desapontará. Creio que esse é o final que falta em “Amor sem Escalas” e mensagem que todos esperam ouvir.
Clooney vive um sujeito cujo emprego consiste em demitir pessoas. Ele é contratado por outras empresas para fazer cortes de pessoal, e desempenha muito bem a tarefa porque é uma pessoa superficial que prefere não estabelecer contatos profundos com ninguém. Sua filosofia de vida consiste em ser o mais livre possível, livre de relacionamentos, livre de compromissos, etc. Assim ele é capaz de dormir muito bem à noite, mesmo depois de ter deixado várias pessoas desempregadas e desesperançosas durante o dia.
O emprego é particularmente atrativo porque possibilita que Clooney fique viajando pelos Estados Unidos quase o tempo todo, o que também combina com sua filosofia de vida: seu lar são os aviões, os aeroportos, as locadoras de carro, os hotéis... É ali que ele passa a maior parte do tempo, longe de contatos profundos com qualquer pessoa.
Sem querer entregar mais da história, mas obviamente que uma série de situações vão colocar a filosofia de Clooney à prova, mostrando que no fundo todos temos necessidade de relacionamentos e de um sentido maior para nossas vidas. Acredito que o filme mostra que no íntimo todos desejamos significar algo para alguém e que precisamos de um propósito para seguir adiante.
De um ponto de vista cristão, acho o filme super válido: ele mostra o vazio que todos temos, e acompanhando esse vazio, o desejo de um significado maior para estarmos aqui. Como diria Agostinho, todos temos esse vazio dentro de nós e desejamos preenche-lo. Como o próprio filme mostra, alguns procuram preenche-lo com a família, outros com realização profissional, outros com realização amorosa, e por aí vai. O personagem de Clooney procura ignorar esse vazio o quanto pode, ou até fazer dele uma virtude, mas a realidade vem mostrar que isso não é possível, é ir contra nossa natureza.
Embora família, amigos, carreira, etc. não sejam em si coisas ruins, o enorme vazio na alma de cada um de nós só pode ser preenchido através de um relacionamento pessoal com Jesus. Isso infelizmente o filme não mostra, mas não faz mal, afinal, não sei se os realizadores são cristãos. Mas é essa mensagem que nós devemos passar adiante: existe um significado maior para nossas vidas, e existe uma pessoa com quem vale totalmente a pena se relacionar, alguém que nunca nos desapontará. Creio que esse é o final que falta em “Amor sem Escalas” e mensagem que todos esperam ouvir.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Glória
Um dia desses, em função da pouca criatividade dos programadores da TV a cabo, assisti Tróia pela enésima vez. Para quem não conhece, o filme é uma adaptação de Ilíada, clássico da Grécia antiga escrito por Homero. O filme concentra-se especialmente na saga do herói Aquiles em seu desejo de gravar para sempre seu nome na História. Em certa altura do filme, questionado sobre suas razões de participar da guerra entre gregos e troianos, Aquiles responde: “aquilo que todos os homens querem eu quero mais”.
Aquiles estava em busca de glória, e acho que infelizmente ele tinha razão. Todos os homens buscam a sua própria glória. Todos os homens querem ser Deus. O temor pela aparente finitude da vida e o desejo por adulação levam todos a buscarem uma forma de imortalidade através de grandes feitos.
Admito que por muito tempo esse pecado me perseguiu. Pensar que eu poderia passar por esta vida sem deixar alguma marca especial, que meu nome seria simplesmente esquecido, eram coisas que me incomodavam. Aos vinte e poucos anos eu invejava personagens como Alexandre, o Grande, que com a mesma idade havia atingido grandes feitos.
No entanto, Deus nos ensina através de Sua Palavra a viver uma vida diametralmente oposta a tudo isso. Deus nos ensina que devemos buscar a Glória dele, e não a nossa. Os evangelhos ensinam repetidas vezes e de diferentes maneiras que aquele que quer ser grande no Reino de Deus deve ser aquele que serve. O próprio Cristo viveu uma vida humilde, como um pobre carpinteiro, para depois morrer como um malfeitor qualquer.
Através das páginas da Bíblia conhecemos um certo número de reis, profetas e sacerdotes, mas também de pessoas tão simples quanto Rute, Maria ou Raabe. Essas pessoas talvez nunca fossem chamar a atenção dos historiadores de seu tempo, mas eram importantes para Deus. Tão importantes que seus nomes estão hoje sendo ouvidos em todos os lugares onde o evangelho é pregado, embora elas provavelmente jamais pudessem imaginar uma coisa como essa.
Poderíamos pensar ainda nos soldados anônimos do rei Davi, ou nos inúmeros cristãos que deram suas vidas quando a perseguição se instaurou nos dias do Novo Testamento. Esses personagens são desconhecidos para nós, e talvez julgássemos que suas vidas não tiveram tanta importância. Eles não comandaram exércitos, não governaram grandes povos e nem tiveram idéias revolucionárias. Mas a Bíblia afirma claramente que eles eram importantes para Deus.
Buscar a própria glória é um pecado, e como acontece com qualquer pecado, as primeiras vítimas de suas conseqüência somos nós mesmos. Buscar a própria glória é sinônimo de decepção e dor.
A Bíblia nos ensina a quem pertencem toda honra e toda glória: a Deus. Àquele que morreu pelos nossos pecados, àquele que se entregou por nós e que fez de si mesmo o mais humilde de todos. Viver para glorificar a este Deus não é perda de tempo, é a razão pela qual todos nós existimos, acreditando nisso ou não. A Ele toda a glória, para sempre. Amém.
"A minha glória não a dou a outrem”. - Is 48: 11
Aquiles estava em busca de glória, e acho que infelizmente ele tinha razão. Todos os homens buscam a sua própria glória. Todos os homens querem ser Deus. O temor pela aparente finitude da vida e o desejo por adulação levam todos a buscarem uma forma de imortalidade através de grandes feitos.
Admito que por muito tempo esse pecado me perseguiu. Pensar que eu poderia passar por esta vida sem deixar alguma marca especial, que meu nome seria simplesmente esquecido, eram coisas que me incomodavam. Aos vinte e poucos anos eu invejava personagens como Alexandre, o Grande, que com a mesma idade havia atingido grandes feitos.
No entanto, Deus nos ensina através de Sua Palavra a viver uma vida diametralmente oposta a tudo isso. Deus nos ensina que devemos buscar a Glória dele, e não a nossa. Os evangelhos ensinam repetidas vezes e de diferentes maneiras que aquele que quer ser grande no Reino de Deus deve ser aquele que serve. O próprio Cristo viveu uma vida humilde, como um pobre carpinteiro, para depois morrer como um malfeitor qualquer.
Através das páginas da Bíblia conhecemos um certo número de reis, profetas e sacerdotes, mas também de pessoas tão simples quanto Rute, Maria ou Raabe. Essas pessoas talvez nunca fossem chamar a atenção dos historiadores de seu tempo, mas eram importantes para Deus. Tão importantes que seus nomes estão hoje sendo ouvidos em todos os lugares onde o evangelho é pregado, embora elas provavelmente jamais pudessem imaginar uma coisa como essa.
Poderíamos pensar ainda nos soldados anônimos do rei Davi, ou nos inúmeros cristãos que deram suas vidas quando a perseguição se instaurou nos dias do Novo Testamento. Esses personagens são desconhecidos para nós, e talvez julgássemos que suas vidas não tiveram tanta importância. Eles não comandaram exércitos, não governaram grandes povos e nem tiveram idéias revolucionárias. Mas a Bíblia afirma claramente que eles eram importantes para Deus.
Buscar a própria glória é um pecado, e como acontece com qualquer pecado, as primeiras vítimas de suas conseqüência somos nós mesmos. Buscar a própria glória é sinônimo de decepção e dor.
A Bíblia nos ensina a quem pertencem toda honra e toda glória: a Deus. Àquele que morreu pelos nossos pecados, àquele que se entregou por nós e que fez de si mesmo o mais humilde de todos. Viver para glorificar a este Deus não é perda de tempo, é a razão pela qual todos nós existimos, acreditando nisso ou não. A Ele toda a glória, para sempre. Amém.
"A minha glória não a dou a outrem”. - Is 48: 11
domingo, 31 de janeiro de 2010
O Sinal de Jonas
Recentemente tenho tido minha atenção voltada para aquilo que Jesus chama nos evangelhos de “o Sinal de Jonas”.
No último post estive trabalhando com duas discussões teológicas presentes no cristianismo hoje: a primeira, sobre se Deus ainda realiza hoje o mesmo tipo de milagres que vemos nos textos bíblicos; a segunda, sobre se os próprios milagres dos textos bíblicos foram eventos reais de intervenção extraordinária de Deus, ou se foram apenas interpretações equivocadas dos autores bíblicos, eventos ordinários para os quais eles não tinham explicação, ou simplesmente histórias inventadas com algum propósito moral.
Na segunda percepção, de inspiração liberal, creio que na melhor das hipóteses fica entendido que os autores bíblicos seriam apenas pessoas ignorantes, atribuindo uma natureza divina a fenômenos que não conseguiam explicar a partir das categorias a que tinham acesso. Na pior das hipóteses eles eram mentirosos, inventores de histórias elaboradas escritas com objetivos diferentes daqueles declarados nos próprios textos.
Acredito que a primeira discussão pode ser travada entre dois cristãos sinceros (embora eu duvide bastante de que seja uma discussão saudável). Já a segunda só pode ser travada entre um cristão verdadeiro e alguém que abraçou outra “fé” chamada liberalismo, uma outra religião que tira do cristianismo um de seus elementos centrais: que Deus intervém em nossa realidade, e de maneira pessoal e específica em nossas vidas. Por essa razão, acredito que essa discussão pode ser deixada de lado, a não ser em casos de apologética, o que não é o caso deste post.
A discussão que quero colocar aqui também não trata sobre se Deus hoje realiza ou não os mesmos milagres que realizava nos tempos bíblicos. A discussão que quero colocar aqui é sobre como aqueles sinais, um deles em especial, são um ponto central para nossa fé hoje.
O sinal a que me refiro é aquele a que nosso Senhor chama de “o sinal de Jonas”. Repetidas vezes Jesus faz referência a esse sinal durante seu ministério, significando sua morte e ressurreição ao terceiro dia. Jesus faz referência a isso mostrando a centralidade desse evento em seu ministério, e como isto calaria aqueles que lhe pediam maiores evidências de ser ele enviado por Deus.
Não pretendo discutir se Deus realiza ou não hoje os mesmos milagres que realizou naqueles dias. Porém, esperar uma relação de troca com Deus, na qual entregamos nossas vidas em função de novos sinais realizados certamente vai além daquilo que Jesus nos ensina. O maior sinal já foi realizado, a ressurreição de Cristo, pois através desse milagre temos vida. Diante de um sinal tão único, o que nos impede de entregar tudo o que somos nas mãos de Deus?
No último post estive trabalhando com duas discussões teológicas presentes no cristianismo hoje: a primeira, sobre se Deus ainda realiza hoje o mesmo tipo de milagres que vemos nos textos bíblicos; a segunda, sobre se os próprios milagres dos textos bíblicos foram eventos reais de intervenção extraordinária de Deus, ou se foram apenas interpretações equivocadas dos autores bíblicos, eventos ordinários para os quais eles não tinham explicação, ou simplesmente histórias inventadas com algum propósito moral.
Na segunda percepção, de inspiração liberal, creio que na melhor das hipóteses fica entendido que os autores bíblicos seriam apenas pessoas ignorantes, atribuindo uma natureza divina a fenômenos que não conseguiam explicar a partir das categorias a que tinham acesso. Na pior das hipóteses eles eram mentirosos, inventores de histórias elaboradas escritas com objetivos diferentes daqueles declarados nos próprios textos.
Acredito que a primeira discussão pode ser travada entre dois cristãos sinceros (embora eu duvide bastante de que seja uma discussão saudável). Já a segunda só pode ser travada entre um cristão verdadeiro e alguém que abraçou outra “fé” chamada liberalismo, uma outra religião que tira do cristianismo um de seus elementos centrais: que Deus intervém em nossa realidade, e de maneira pessoal e específica em nossas vidas. Por essa razão, acredito que essa discussão pode ser deixada de lado, a não ser em casos de apologética, o que não é o caso deste post.
A discussão que quero colocar aqui também não trata sobre se Deus hoje realiza ou não os mesmos milagres que realizava nos tempos bíblicos. A discussão que quero colocar aqui é sobre como aqueles sinais, um deles em especial, são um ponto central para nossa fé hoje.
O sinal a que me refiro é aquele a que nosso Senhor chama de “o sinal de Jonas”. Repetidas vezes Jesus faz referência a esse sinal durante seu ministério, significando sua morte e ressurreição ao terceiro dia. Jesus faz referência a isso mostrando a centralidade desse evento em seu ministério, e como isto calaria aqueles que lhe pediam maiores evidências de ser ele enviado por Deus.
Não pretendo discutir se Deus realiza ou não hoje os mesmos milagres que realizou naqueles dias. Porém, esperar uma relação de troca com Deus, na qual entregamos nossas vidas em função de novos sinais realizados certamente vai além daquilo que Jesus nos ensina. O maior sinal já foi realizado, a ressurreição de Cristo, pois através desse milagre temos vida. Diante de um sinal tão único, o que nos impede de entregar tudo o que somos nas mãos de Deus?
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